Furia Em Duas Rodas Patched ⚡ Safe
Sentado no concreto molhado, com os carros cortando a noite ao lado, ele tirou o capacete. A garoa misturou-se às lágrimas. Não havia ninguém ferido. Não havia batida. Apenas o eco do que poderia ter sido.
Bruno colocou o capacete e, pela primeira vez, sentiu que a viseira não protegia seu rosto, mas sim o prendeu em uma máscara de silêncio. Deu partida. O motor rugiu, e a fúria, até então contida, subiu do tanque de combustível pelas mãos até a nuca.
Bruno parou no acostamento. Desmontou. As pernas cederam.
O motorista do Fiesta – um senhor de cabelos grisalhos, óculos de leitura pendurado no pescoço – não o viu. Estava ao telefone, ouvindo a filha dizer que havia passado no vestibular. Ele sorria. Diminuiu mais um pouco, para saborear a notícia.
Acelerou fundo, jogou a moto para a contramão – havia um ônibus vindo. O farol do ônibus cresceu como um sol amarelo. O senhor do Fiesta, assustado com o clarão, puxou o volante para a esquerda sem querer. Exatamente para onde Bruno ia.